“Os Açores trazem através da Base das Lajes e através da Ilha Terceira uma projeção transatlântica muito importante” acrescentou o deputado Paulo Moniz

Revisão do Acordo das Lajes é fundamental tanto para os Açores como para Portugal


 
O deputado do PSD/Açores na Assembleia da República, Paulo Moniz, defendeu que a revisão do Acordo das Lajes “é fundamental tanto para a Região como para Portugal, no âmbito da disputa atlântica em curso”, devendo o governo dizer “se a vai ou não executar”.
 
O social democrata questionou o Ministro dos Negócios Estrangeiros sobre essa disponibilidade, considerando que “é obrigação deste governo rever o Acordo, até porque, passada a presidência portuguesa, já não se poderá refugiar no princípio da neutralidade para não avançar com a revisão”.
 
Falando no debate sobre as prioridades da presidência do Conselho da UE pela Eslovénia, Paulo Moniz lembrou que, no encerramento da presidência portuguesa, o Primeiro Ministro referiu que “o nosso posicionamento euro-atlântico é uma constante da nossa posição geoestratégica, que Portugal nunca abandonará”.
 
“Ora, o Atlântico é hoje palco de uma disputa muito grande, em que os principais players mundiais, entre eles a China, batalham pelo espaço geográfico e estratégico do ponto de vista económico e militar”, disse Paulo Moniz.
 
“O controlo desse espaço vai ditar muita da reorganização do nosso novo mundo. Aliás, quando o presidente dos EUA Joe Biden foi eleito, no final de 2020, criou-se um desanuviamento que importa aproveitar”, reforçou Paulo Moniz.
 
“Os Açores trazem, através da Base das Lajes e através da Ilha Terceira uma projeção transatlântica muito importante”, acrescentou o deputado.
 
Que prosseguiu, dizendo que o Acordo das Lajes é de 1995, “e, entretanto, o mundo mudou, os desafios são outros, as exigências de vigilância, de tecnologia e de acompanhamento são diferentes”.
 
Para os Açores, este Acordo é profundamente desequilibrado, uma vez que nunca foram devidamente contabilizadas as vantagens devidas à Região por ter acolhido as facilidades militares aos norte-americanos, a que acresce o passivo ambiental enorme – inqualificável até hoje – deixado
 
“Do ponto de vista constitucional, os Açores têm o privilégio de acompanhar essas negociações, e de serem beneficiários dos proveitos que elas originarem”, concluiu.

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